Dia do Arquiteto: cinco nomes que ajudaram a desenhar o Brasil — e o legado profundo de Rubens Gil de Camillo em Mato Grosso do Sul
- Revest Pedras

- 15 de dez. de 2025
- 3 min de leitura
A arquitetura é uma escrita silenciosa.Ela organiza o espaço, traduz valores, molda cidades e atravessa gerações.No Dia da Arquitetura, celebramos nomes que ajudaram a construir a identidade arquitetônica brasileira — tanto nos grandes centros quanto nos territórios onde a arquitetura nasce do entendimento do lugar.
Entre esses nomes, Rubens Gil de Camillo ocupa um lugar fundamental na história de Mato Grosso do Sul.

Arquitetos que moldaram o pensamento arquitetônico brasileiro
(mantém-se o contexto nacional para reforçar o diálogo entre centro e território)
Oscar Niemeyer
Lina Bo Bardi
João Filgueiras Lima (Lelé)
Paulo Mendes da Rocha
Todos eles pensaram o Brasil em escala nacional.Rubens Gil de Camillo pensou o Brasil a partir do Mato Grosso do Sul.
Rubens Gil de Camillo: arquitetura como construção de identidade regional
Formado arquiteto em um período decisivo para o país, Rubens Gil de Camillo atuou intensamente a partir das décadas de 1970 e 1980 — momento em que Mato Grosso do Sul se estruturava politicamente, urbanisticamente e culturalmente após sua criação como estado, em 1977.
Seu trabalho foi essencial para esse processo.
Rubens não apenas projetou edifícios:ele ajudou a organizar a paisagem urbana, estabelecer referências institucionais e criar uma linguagem arquitetônica coerente com o clima, a escala e a cultura sul-mato-grossense.
Principais características de sua arquitetura
A obra de Rubens Gil de Camillo é marcada por:
forte racionalidade construtiva,
uso consciente de materiais locais e sistemas construtivos adequados ao clima quente,
valorização da ventilação natural e da iluminação zenital,
leitura cuidadosa da escala urbana,
e uma estética moderna, sóbria e funcional.
Sua arquitetura nunca buscou espetáculo. Buscou permanência.

Projetos e contribuições relevantes
Rubens Gil de Camillo teve papel decisivo na consolidação de edifícios públicos e institucionais que até hoje fazem parte do cotidiano e da memória coletiva de Mato Grosso do Sul.
Entre seus projetos e atuações mais relevantes, destacam-se:
Edifícios institucionais e públicos
Rubens atuou em projetos ligados ao poder público e à estrutura administrativa do Estado, contribuindo para a formação da imagem institucional de Campo Grande e de outras cidades sul-mato-grossenses em um momento de consolidação urbana.
Esses edifícios ajudaram a organizar o espaço cívico e a dar identidade arquitetônica ao jovem estado.
Arquitetura residencial moderna
Em residências, sua produção apresentou soluções modernas, funcionais e bem adaptadas ao clima local — com plantas bem resolvidas, integração entre áreas internas e externas e uso racional de materiais.
São casas que envelheceram bem, mantendo atualidade e coerência décadas depois.
Atuação cultural e intelectual
Além da prática projetual, Rubens Gil de Camillo foi um intelectual ativo na cena cultural sul-mato-grossense, contribuindo para o debate sobre arquitetura, urbanismo e identidade regional.
Seu nome está ligado à consolidação de uma consciência arquitetônica local — algo raro e fundamental fora dos grandes eixos Rio–São Paulo.
Arquitetura como responsabilidade com o território
Talvez o maior legado de Rubens Gil de Camillo seja a forma como sua obra ensina que:
arquitetura não é importação de modelos,é interpretação do lugar.
Ele projetou para o calor, para a luz intensa, para a horizontalidade do território, para a vida cotidiana real.Sua arquitetura conversa com o chão onde está implantada.
Por isso, seu trabalho permanece atual — não como nostalgia, mas como referência.
Por que celebrar Rubens Gil de Camillo hoje
Em um tempo em que a arquitetura muitas vezes se rende à imagem rápida e ao excesso de referências externas, revisitar a obra de Rubens Gil de Camillo é lembrar que:
boa arquitetura nasce do contexto,
bons edifícios servem à cidade,
e o verdadeiro legado está na permanência, não no impacto imediato.
Conclusão: arquitetura que constrói memória
No Dia da Arquitetura, celebrar Rubens Gil de Camillo é reconhecer a importância da arquitetura feita com consciência territorial, responsabilidade urbana e sensibilidade cultural.
Ele ajudou a desenhar Mato Grosso do Sul — não apenas em plantas e fachadas, mas na forma como o estado passou a se reconhecer no espaço construído.
E esse é um legado que atravessa o tempo.



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